História dos Blocos de Rua

“Antes do Carnaval, havia o caos. E o caos se chamava entrudo” afirma o estudioso do Carnaval brasileiro Felipe Ferreira. Isso porque todas as manifestações culturais que, hoje conhecemos no Brasil como carnaval, num primeiro momento não tinham ritmo ou melodia, mas gritos de raiva e risos de deboche, a cara do Entrudo.

O Entrudo foi trazido pelos colonizadores portugueses no século XVI e era basicamente uma brincadeira, onde as pessoas jogavam coisas umas nas outras, principalmente líquidos, e havia uma distinção social. Nas casas de elite havia o entrudo familiar onde se jogavam água de cheiro uns aos outros, já na rua a brincadeira era popular e os líquidos jogados podiam ser até urina e água de esgoto. Como na rua a brincadeira era incontrolável e considerada cada vez mais violenta, foi pouco a pouco sendo recriminada até que se tornou ilegal em 1857 continuou.

A brincadeira continuou existindo, mas foi perdendo espaço para o Zé Pereira, que nada mais era que um grupo de portugueses que saíam às ruas tocando bumbo e tambores, também em tom de algazarra, e eram seguidos por multidões pelas ruas do Rio de Janeiro. O Zé Pereira se tornou a imagem do que se conhece por carnaval de rua na modernidade.

Com o decorrer do tempo, os negros que, anteriormente não tinham um papel ativo nas brincadeiras de rua, passaram a se incorporar às festividades e a partir disso começaram a surgir os cordões. Elementos da cultura do Congo foram se inserindo a partir das coreografias e musicalidade compondo dos Ticumbís e Cucumbís que remontavam à rituais religiosos congoleses. Concubís foi sinônimo de cordão por um tempo, mas foi perdendo sua importância e temos até hoje o termo cordão ou blocos de carnaval.

Esses grupos eram compostos por mascarados que brincavam o carnaval à semelhança do entrudo, agredindo passantes e brigando com grupos rivais. O cordão que se tornou mais famoso foi o Rosa de Ouro com a marchinha composta por Chiquinha Gonzaga, que posteriormente viria a se tornar música símbolo do carnaval brasileiro: “O abre alas que eu quero passar”.

Concomitante aos cordões, existiam os ranchos, que também eram oriundos de celebrações religiosas, porém de origem portuguesa, e passaram a ocupar as ruas com desfiles imponentes cada vez mais opulentos com músicos militares e cantores de ópera. Os ranchos vieram a dar origem ao que hoje conhecemos como carnaval de desfile das escolas de samba, já os cordões continuaram existindo mas tiveram sua importância e prestígio diminuídos na época da ditadura militar em que as liberdades estavam limitadas e o povo mal podia ir para as ruas.

Contudo, mesmo nesse período, manteve-se ativo o quase centenário Cordão da Bola Preta, o mais tradicional do Rio de Janeiro, fundado 1918. E no mesmo ano do golpe militar, em 1964, foi fundado pelos integrantes do jornal Pasquim o bloco chamado Banda de Ipanema. Os músicos usavam ternos e o primeiro desfile partiu do cordão partiu do bar Jangadeiros, então ponto de encontro da boemia de Ipanema. O tema das músicas era basicamente de sátira e crítica social.

“O abre alas que eu quero passar”.

Em 1985, durante as manifestaçõe populares que pediam a volta de eleições diretas, surgiu o bloco Simpatia é Quase Amor também reconhecido por sua irreverência e crítica social.

Nos anos 90, grupos de músicos e estudantes de música passaram a se reunir ao ar livre e, a partir de um bloco chamado Boitatá, que saiu às ruas pela primeira vez em 1996, houve o começo de um movimento de retomada do espaço público e, consequentemente, do carnaval de rua no Rio de Janeiro.

Agora, além de sambas e marchinhas, diversos sons chamam a atenção e cativam um público cada vez mais jovem. O grupo Orquestra Voadora, por exemplo, leva para o carnaval trilhas sonoras de filmes consagrados. Vivemos, desde a última década, um redescobrimento do carnaval de rua. Os blocos estão cada vez maiores e mais numerosos, chegando a reunir milhões de pessoas, e o tom de deboche e crítica social seguem presentes fazendo parte da diversão nessa que é a maior festa popular brasileira.

Leave a comment



Escolha sua cidade

Date/City Select

Newsletter

Newsletter
blocos-rua-site-topo

Blocosderua.com.br poderia ser apenas mais um site de blocos, mas nós queremos ser os melhores. Queremos ser uma fonte de informações de Blocos de Rua que você pode confiar. Poucos anúncios, informação útil e agenda VALIDADA em orgãos oficiais!